Posts Tagged 'emoções'

Mudanças na vida de uma “quase-grávida”

Hoje faz uma semana que fiz a inseminação. Estou na expectativa, claro, mas também meio irritada por já ter que modificar tantas coisas na minha vida sem sabe ainda se é ou não em vão. Explico. Fiquei gripada no dia da inseminação e eu sei que grávidas não podem tomar qualquer remédio. A verdade é que não devem tomar nada, tylenol se tiver muito ruim. Ok, fiquei só no mel, chazinho, mas não é só isso. Eu comecei a reparar que vários produtos que eu usava naturalmente no dia a dia não são aconselháveis para gestantes. E isso vai desde o meu adstrigente, o exfoliante que usava no banho, o rémedio para secar espinhas, até algumas bases não podem ser usadas! Comecei a ter que ler os rótulos de tudo, pesquisar na internet alguns componentes, com medo de usar alguma coisa que faça mal.

Outra coisa complicada, nesse caso socialmente: bebidas alcóolicas. Vocês já repararam como a maioria dos eventos sociais envolvem bebida? Tem sempre a combinação do barzinho, de sair pra tomar um drink, o vinho no jantar…Esse final de semana mesmo teve o churrasco de aniversário de uma amiga e a cervejinha rolando solta. E eu só no refrigerante ( e o pior é que eu nem gosto). Você,  não podendo beber, fica meio por fora. Tudo bem, faria o sacrifício de bom grado por um bom motivo, já que sei dos perigos do álcool na gravidez. O problema é que eu não sei ainda se estou grávida! Na primeira tentativa fiquei também me restringindo de várias coisas à toa.  Lógico, todo mundo diz que é bom para eu ir me acostumando, mas eu não concordo. Eu sou bastante  séria e responsável com o que diz respeito a saúde e obedeço sempre as recomendaçãoes médicas. Se me dizem que é bom não fazer, eu não faço e pronto, sem reclamar. O que me incomoda e estar me restringindo de coisas sem necessidade.

Claro, se eu fosse uma esportista talvez meus amigos fizessem programas como correr no parque, mas não é meu caso. De qualquer jeito, agora no começo também teria que esperar para fazer exercícios. Até a hidroginástica que estou fazendo tive que parar um pouco, já que nesse período enquanto não sei se engravidei, e talvez até no começo quando a chance de aborto é grande, meu médico pediu pra evitar esforço físico.

Tomara que essas mudanças todas recompensem e eu descubra que dessa vez eu engravidei! Daí, vou ter que começar a pensar em programas alternativos, cinema, teatro e, principalmente, avisar meus amigos para não me excluirem dos programas porque, por um tempo, não vou poder beber ou porque vou sentir mais sono, ou me cansar mais rapidamente. Afinal, quero continuar a poder contar com a companhia dos amigos e me divertir com eles! Acho que só estou com medo de perder alguns deles porque minha vida vai mudar…Bom, se tiver que ser assim, fazer o que?

Só mais uma semana de espera…agora tem feriado, vou viajar, isso vai ajudar o tempo a passar mais rápido.

Anúncios

Agora é esperar pelo teste de gravidez

Depois de feita a inseminação na segunda-feira, hoje fui fazer o ultrassom para verificar se ovulei. A ovulação de um óvulo foi confirmada, talvez dois, o endométrio cresceu, está tudo correndo bem!  Um óvulo está bom, é o necessário para a gravidez, e a chance de gêmeos muito pequena. Agora começo com a progesterona, com o objetivo de ajudar o óvulo a “colar” no útero, diminuindo assim a chance de um aborto espontâneo, muito comum no começo da gavidez.

Agora também começa a fase chata da espera. Vou fazer o exame de sangue para determinar a gravidez somente no dia 8, na terça-feira depois do feriado. São quatorze dias depois da inseminação. Agora é só esperar e torcer para que tudo tenha dado certo. Já está me dando um friozinho na barriga…

Inseminação segunda, preciso de torcida!!!

Está marcado: Segunda-feira às 11 horas! E ai é só torcer para os “bichinhos” nadarem direito e fertilizarem o óvulo. Já estou nervosa, e com um medinho também. Medo de quê? Nem eu mesma sei: de não dar certo, ou de dar certo, sei lá!  Filho é muita mudança na vida de uma pessoa, me dá medo de estar fazendo uma loucura, de não dar conta…ai, as mesmas dúvidas de volta…

O medo de ter mais de um pelo menos diminuiu. Dos 4 foliculos que eu tenho, só um cresceu bastante, os outros 3 estão pequenos ainda. Talvez ainda cresça mais algum até segunda, mas de qualquer jeito, não tendo tantos óvulos, a chance de fertilizar mais de um é mínima. Fico mais sossegada.

Já avisei algumas amigas pra torcerem por mim. Pensamento positivo sempre ajuda. E, claro, avisei minha amiga e futura madrinha do bebê para reservar a manhã de segunda, já que ela vai comigo buscar o sêmen e acompanhar a inseminação, como da primeira vez. Agora é só controlar a ansiedade. Vou tentar me ocupar bastante no final de semana, pra ver se o tempo passa rápido.

Inseminação será domingo ou segunda!!!

Resultado do ultrassom na quarta: dos seis folículos, quatro cresceram! Isso é bom, porque vou poder fazer a inseminação, apesar do meu medo de mais de um fecundar.

Segundo o Dr. Luiz, pelo crescimento deles o procedimento será no domingo ou na segunda.  Irei fazer um outro ultrassom amanhã, sexta-feira, para que ele possa ver qual será o dia. Precisa definir porque como o meu caso é de inseminação com doador anônimo,  a clínica precisa entrar em contato com o pro-seed para marcar a hora em que passarei para pegar o sêmen. Como da outra vez me explicaram, antes da inseminação o sêmen precisa ser descongelado e preparado para o procedimento. E isso precisa acontecer pouco tempo antes do procedimento porque o esperma não sobrevive muito tempo fora do corpo, ele precisa ser mantido na temperatura certa. Tanto que para o transporte entre o pro-seed e a clínica uma das formas é colocá-lo junto ao corpo (no sutiã, como me disseram…). Eu não fiz isso da primeira vez, levei num isopor mesmo pois já matêm a temperatura por um certo tempo, mas fui direto pra fertivitro e já fizeram a inseminação sem demora.

Tomara que dê tudo certo dessa vez. Uma das leitoras do blog me falou que ela desenvolveu 5 folículos e agora está grávida de um só bebê. Foi um alívio saber disso, mas mesmo assim estou contando com a torcida de todos!

Segundo ultrassom…agora falta pouco!

Gente, fiz o ultrassom e se formaram 6 folículos! Claro, isso não quer dizer que todos vão crescer e maturar (ainda bem!). O Dr. Luiz ficou contente, disse que está ótimo, mas eu fiquei apavorada. Não posso ter mais de um, não tenho a menor condição de cuidar de mais de uma criança. Não sei nem se consigo cuidar de uma!

Agora tenho que voltar na quarta-feira para verificar o quanto eles cresceram. Eu sei que se mais de quatro estiverem grandes, eles não fazem a inseminação, pelo menos lá na Fertivitro não. Isso porque aumenta muito a probabilidade de múltiplos. O problema é que eu já acho quatro muito! Vou torcer para que só 2 cresçam , como aconteceu na minha primeira tentativa. Pode até diminuir as minhas chances de engravidar, mas eu prefiro. Quero correr o menor risco possível de ter gêmeos.

Se tudo estiver bem, vou fazer a inseminação no sábado, já!!!! Essa parte até que passa rápido, o problema são os 12 dias depois para fazer o teste de gravidez. Essa espera sim, é demorada, os dias parecem que não passam…

Agora então é torcer para que os foliculos cresçam, mas não muitos, 2 ou 3 no máximo. Nossa, são tantas variáveis, a gente só tem ideia quando começa a fazer o tratamento. Estava pensando  em quanto tempo já passou desde que resolvi começar a pesquisar as clínicas, fazer os exames, a primeira tentativa, o mês de espera, depois o cisto no ovário que adiou a segunda tentativa, o início da nova…já foram mais de 6 meses! E ainda não sei qual vai ser o resultado desta. Fora o dinheiro, que também não é pouco.Tomara que dê certo logo, e daí eu possa só me preocupar com os novos problemas que vão surgir…

O início do novo tratamento se aproxima…e as dúvidas voltam

Está chegando a hora de inciar o novo tratamento e as dúvidas, como sempre, tomam conta de mim. Duas delas principalmente são as que mais me tiram o sono: a questão financeira e da paternidade desconhecida.

A primeira é óbvia: se já está difícil o mercado de trabalho para mim hoje em dia, com certeza não ficará melhor comigo tendo compromissos como mãe. Como não tenho emprego fixo, quando tiver meu filho terei que passar um tempo em casa sem nenhum direito como licença maternidade, estabilidade no emprego, etc. Claro que tenho alguma fonte de renda senão não poderia nem pensar na possibilidade de ter um filho. Mas as coisas ficarão apertadas, e já tenho economizado desde já para me precaver. Apesar disso, dá medo da dificuldade que terei que enfrentar para procurar emprego novamente depois da gravidez. E se eu não conseguir nada, como atender às necessidades dessa criança que está por vir?

A segunda questão pode a princípio parecer mais simples, mas também não sei direito como irei lidar com ela. Ter um filho de doador anônimo me colocará em várias situações em que terei que dar explicações, já que ainda não é tão comum a produção independente na nossa sociedade. Claro que vai ser meio chato, mas enquanto for só eu quem tiver que responder perguntas, está tudo bem.  Meu maior medo é que meu filho ou filha tenha que passar por isso, ficar respondendo perguntas de colegas e até desconhecidos sobre a identidade do pai.

Sem dúvida a pior será a primeira pergunta sobre o assunto. Eu sei que eventualmente virá a fatídica “Quem é meu pai?”, ou “Porque todo mundo tem pai e eu não?”. Essa com certeza será de cortar o coração… Claro que nós adultos sabemos que o fato de ter um pai conhecido não quer dizer que será um bom pai, nem um pai presente na vida do filho. Mas na cabeça de uma criança as coisas ainda não estão assim tão claras. Graças a Deus aqui no Brasil não é permitido que a mãe ou a criança algum dia resolva ir atrás do doador.  Se não fosse assim, acho que ninguém doaria! Já pensou um dia aparecerem crianças desconhecidas na porta de alguém querendo saber se é o pai?

Outro dia vi uma reportagem sobre crianças americanas frutos de inseminação artificial, nascidas de um experimento de uma Universidade há alguns anos e que pretendia gerar gênios. Os PHDs da Universidade doavam seu sêmen para inseminação em mullheres normais que se inscreveram no programa, com a intenção de verificar se os filhos nasceriam com inteligência acima da média. A teoria não se confirmou, as crianças nasceram dentro dos padrões normais da população, mas o que veio depois é que me assusta. Hoje em dia, as crianças já adultas (e algumas mães inconsequentes também…) sairam em busca do doador! Foram atrás dos médicos responsáveis pea fertilização e através de informações fornecidas por eles (!!!!???) tentaram encontrar o pai de algumas das crianças, hoje jovens adultos. É uma história tão absurda que só me faz agradecer o fato de aqui eles tenham um respeito maior pela privacidade das pessoas envolvidas.

O jovem ter a curiosidade dá para entender. A mãe entrar nessa também só mostra como elas estavam pouco preparadas para participarem da pesquisa. Os profissionais envolvidos fornecerem informação sobre os doadores é de uma falta de ética que merece processo!  Mas de alguma forma, mostra como a questão psicológica envolvida é muito complexa. Será que saberei lidar com a situação? É uma questão que me deixa muito insegura pois não existe resposta. Ninguém sabe dizer ao certo como é a melhor forma de enfrentar o problema. Quem sabe até chegar minha vez de ter que lidar com isso, outras mães e filhos que já passaram por essa fase possam servir de exemplo, falando mais sobre isso, o assunto sendo mais discutido, o que facilitaria a vida para todo mundo.

A caminho da segunda inseminação

Nesta quinta-feira, depois de amanhã cedo, vou iniciar meu novo tratamento. Já tenho o primeiro ultrassom marcado e, se estiver tudo certo comigo, começo com os hormônios novamente! Isso é legal, estou animada para começar novamente, mas ao mesmo tempo me vem outros sentimentos não tão legais: ansiedade, dúvida , nervosismo, mal-humor…e todas aquelas sensações chatas que temos na TPM.  Afinal, essa alta dosagem de hormônios que terei que tomar acaba causando isso, é inevitável.

E dessa vez vai ser pior para mim. Na primeira tentativa, como ainda estava, em parte, sob o efeito do anti-depressivo que tomava, fiquei meio anestesiada paa esses efeitos colaterais dos hormônios. Agora terei que segurar a onda sozinha! O que eu posso fazer para minimizar eu já comecei semana passada: hidroginástica. É sabido que os exercícios físicos ajudam a controlar as variações hormonais, melhoram o humor, além dos benefícios para a saúde e o condicionamento físico. Eu estava parada há bastante tempo, e precisava mesmo começar a me mexer. Hidroginática neste momento foi uma boa opção para mim, já que vou poder continuar durante toda a gravidez.

Acho que apesar de chato ter que começar tudo de novo, deu tempo para que eu arrumasse detalhes práticos da minha vida que irão me ajudar quando eu ficar grávida:
Primeiro foi trocar meu plano de saúde para um que cobre o parto. Parei de tomar os anti-depressivos e já superiei os efeitos da abstinência. Comecei a fazer exercícios físicos.  Fui ao dentista , detalhe importante, já que na gravidez não se pode tomar anestesia. Estou tentando comer coisas mais saudáveis, e estou evitando tomar muito café.  Vou até pintar meu cabelo um pouco mais escuro, já que não poderei retocar as raizes quando estiver gravida, já que é perigoso usar tintas que precisem de descolorante. Podem parecer detalhes, mas cuidar deles pode fazer bastante diferença na hora de garantir que a gravidez transcorra da melhor forma possível!

Agora só me resta seguir o tratamento e torcer novamente para que dê certo. Só para a  insegurança sobre como será o meu futuro com meu bebê é que não existe remédio! Por mais que eu saiba que esse medo deva ser comum à todas as mães, não dá para parar de me preocupar… e como esquecer a ansiedade também é impossível, então o jeito é tentar me ocupar e me distrair, e para isso conto com a ajuda dos amigos!