Archive for the 'família e preconceito' Category

E se o tratamento não der certo? A gente continua vivendo!

Já 2016…e de repente me deu vontade de escrever novamente no blog. Li há pouco o meu último post de 2012, quando ainda estava tentando mais uma tentativa de engravidar por FIV.

Como vocês devem ter imaginado pelo meu sumiço, não consegui engravidar novamente. Mesmo tomando o DHEA e aumentando um pouco minha produção de óvulos, só dois fertilizaram em não conseguiram se desenvolver. Também houve um problema durante a última extração dos óvulos, o que me causou dores e duas semanas de repouso para recuperação. Durante esse tempo, refleti muito sobre os três anos que passei pautando a minha vida em função desse sonho da maternidade, em toda a frustração, todo o desgaste físico e emocional pelo qual tive que passar, além do investimento financeiro que foi bastante alto, e decidi parar com o tratamento.

Não foi uma decisão fácil, mas como disse uma amiga que também tentou engravidar por um tempo e depois desistiu, cada uma de nós sabe até onde insistir e qual é o seu limite. É uma decisão muito pessoal e muito solitária também, afinal é o meu corpo, a minha saúde, os meus sentimentos, e nem família, nem amigos, nem companheiros podem dizer a hora de continuar ou a hora de parar.

Confesso que tomar a decisão me trouxe uma certa paz, que há muito não sentia. Eu não aguentava mais tanta expectativa, tanta frustração, tanta espera, tantos exames, e aquela TPM quase constante devido aos hormônios, com toda aquela irritação, tristeza, mal-estar e outros sintomas que nós mulheres sabemos como são desagradáveis.

Algumas pessoas acharam que deveria ter tentado mais. Outras me disseram que eu até que insisti por muito tempo, mas como eu disse antes, cada um sabe o seu limite. Eu sei que para mim a decisão fez bem. Eu acredito que eu fiz a minha parte, mas se não era para acontecer, Deus deve ter os seus motivos. E a partir daí, pude seguir a minha vida, ir atrás de interesses que havia deixado de lado enquanto estava focada somente neste projeto. Hoje, com toda as dificuldades pelas quais estamos vivendo, crise econômica, o trabalho cada vez mais escasso e pagando pouco, fico pensando em como seria se tivesse que sustentar um filho sozinha. Com certeza não ia ser nada fácil.

Mas antes que pensem que eu me arrependi das tentativas que fiz, muito pelo contrário! Eu fico feliz em saber que tentei, que investi no meu sonho, mesmo que infelizmente não tenha dado certo. Continuo, porém, a apoiar e a torcer por todas a mulheres que continuam nessa luta em busca da maternidade.

Sim, o sonho de ter um filho é maravilhoso, mas é bom pesar todas as dificuldade e consequências que se tem que enfrentar antes da decisão de passar por um tratamento de fertilidade. E estar consciente de que pode não dar certo, infelizmente, e é preciso saber lidar com isso também. Mas com muita fé e coragem, cada uma de nós vai encontrar o seu caminho. Boa sorte a todas nós!

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Inseminação artificial na ficção

Dizem  que quando você está com um assunto na cabeça, pra todo lugar que olhamos nos deparamos com esse mesmo assunto. Só sei que atualmente tenho visto o assunto fertilização e inseminação artificial sendo tratado em vários lugares, em especial seriados de televisão.

Por um lado isso é bom, já que quanto mais se falar sobre o assunto e quanto mais as pessoas tiverem informação, mais naturalmente o assunto será encarado. Mas a forma com que o assunto é tratado, me traz certa preocupação. Eu assisto à dois seriados americanos, um é “Flashforward”, que está sendo exibido pela TV à cabo aqui no Brasil, e outro já acabou nos USA e eu baixo no computador, chamado “Nip Tuck”.  O que interessa é que nos dois seriados estão retratando lésbicas que decidem ter filhos sozinhas e recorrem à inseminação artificial. A primeira procura uma clínica de fertilização e busca um doador anônimo, apesar de aparecer um amigo se oferecendo a “ajudá-la” a conceber , e no segundo caso, a mulher em questão pede a doação de um amigo.

Vejo dois problemas ai. O primeiro é o esteriótipo. Sim, existem lésbicas que recorrem à clinicas de fertilização para realizarem o sonho de ser mãe, mas não é o único caso e nem é a maioria! As clínicas estão repletas de casais de todos os tipos, mulheres solteiras tanto homo como heterosexuais, mulheres casadas com problemas de infertilidade, tanto dela quanto do marido. Acho perigoso associar a inseminação artificial à um público específico, no caso dos gays, pois me passa uma idéias incomoda de preconceito, e isso é sempre perigoso.

Outra idéia que é passada completamente errada: passam a idéia de que é só querer ter o filho, ir na clínica com o sêmen doado e pronto, sai grávida! Tem-se a impressão que é como fazer pão, é só colocar os ingredientes no forno e está pronto! Nada mais distante da realidade…
Seria até engraçado, se essa idéia não estivesse sendo passada inconscientemente para as pessoas, que passam a acreditar nelas. O problema é a decepção, quando se vai tentar a mesma coisa na vida real. Só na hora de procurar realmente uma clínica e iniciar o tratamento é que se toma consciência de todas as dificuldades, o tratamento pelo qual se tem que passar, a paciência da espera, as frustrações inevitáveis com as tentativas que não derem certo.

Espero que continuem tratando cada vez mais do assunto, mas de uma forma um pouco mais realista. Claro, é só televisão, mas quando algumas idéias são repetidas muitas vezes, começamos a acreditar que são verdade. E isso pode ser bastante perigoso.

Dúvidas e inseguranças de uma futura mãe

Tive uma segunda consulta com a psicóloga da clínica.  Não sei se já comentei, mas o conselho regional de medicina exige que qualquer pessoa que irá fazer algum procedimento que envolva doação genética, seja de óvulos ou espermas, precisa passar por uma avaliação psicológica, o que acho muito interessante e muito responsável também.  O que achei legal da Fertivitro é que eles oferecem 3 encontros com a psicológa. Eu já fui na minha segunda, e estou deixando a terceira para algum momento em que eu ache que precise mais, quem sabe depois de saber o resultado do teste de gravidez…

É muito bom ter alguém com experiência nessa área para poder discutir os problemas que passamos durante o processo. Como a Dra. Ana Rosa já trabalha em clínicas de fertilização há 10 anos, já viu todos os tipos de casos e configuações de famílias, e acompanhou a mudança e o conhecimento das pessoas sobre os métodos de fertilização ao longo desse tempo. E uma coisa que ela me falou sobre a decisão de ser mãe me pareceu muito sensata e verdadeira: que a dúvida em se tornar mãe não acontece só porque estou fazendo uma produção independente, ela acontece com qualquer mulher!  Muitas vezes, porque a mãe passou por um tratamento, caro, demorado e que envolve muito stress, ela não se sente no direito de duvidar da da sua decisão. Só que a dúvida existe sim! Em vários momentos, desde quando se descobre que está grávida, durante ou depois da gravidez, a mulher pode passar por vários momentos em que põe em dúvida a sua decisão de ser mãe. Existem momentos, (e não são poucos!) em que você se pergunta:” Era isso mesmo que eu queria, essa trabalheira toda? Onde fui amarrar meu burro?”. Porque criar uma criança não é nada fácil, mas tem uma recompensa que não tem preço que é o amor!

Da mesma forma fico muito insegura quando penso como irei contar para meu filho ou filha como ele foi concebido. O que direi para uma criança que não sabe ainda nem de onde vem os bebês quem é o seu pai, o que eventualmente vai acontecer! Claro, provavelmente ele não irá entender direito, mesmo eu tentanto contar a verdade numa linguagem mais apropriada para a idade em que ele tiver, mas o importante é que isso seja feito com muito amor e confiança. Porque uma criança que se sente amada, segura e que tenha certeza que foi muito desejada, poderá lidar muito melhor com os fatos da vida.  Às vezes as crianças até nos surpreendem quando lidam de uma uma forma muito mais natural com as coisas do que nós, adultos!  Como a Dr. Ana falou, é porque eles não tem preconceitos, ninguém nasce com idéias pré-concebidas. Elas são apreendidas por nós, atráves dos valores da sociedade em que vivemos. Portanto, quanto mais naturalmente tratemos essa questão, masi natural será também para a criança.

Com certeza procurarei uma escola que também tenha uma postura mais aberta com relação as organizações familiares, como já existem várias hoje em dia, a começar da abolição da comemoração de dia dos pais, dia das mães, etc. É preciso que a escola esteja do seu lado  na forma como discutir questões familiares para ajudar o entendimento da criança e não atrapalhar. A verdade é que eu terei que ir descobrindo aos poucos, já que tudo é muito novo e ninguém sabe ainda direito como lidar com essas questões!

Na segunda feira, conversando com minha chefe na Revista Crescer, ela me perguntou: “Você tem 100% certeza do que está fazendo ou de vez em quando fica em dúvida?”. Eu fui muito sincera na resposta: é claor que tenho dúvida, quase todos os dias! Sempre tem um momento em que eu paro e penso: “Será que estou tomando a decisão certa? será que não é muita loucura, ou coragem, como muita gente me diz?”. Mas depois fico pensando que afinal de contas, ter um filho é uma decisão natural na vida de milhares de mulheres todos os dias, talvez a grande diferença seja a forma como acontecerá a concepção.

Quando um casal se casa, é esperado por todos que depois de algum tempo, às vezes até na lua-de-mel, a mulher engravide. Muitas vezes nem é o momento mais adequado, muitas vezes não é planejado, mas ninguém estranha e muito pouca gente critica. Tem até os partidários do ” é a vontade de Deus”, que sem querer desrespeitar a crença de ninguém, sabemos hoje que a decisão está nas nossas mãos, mais do que nunca esteve. Então porque a minha decisão é causa de tanta polêmica? Será só o estranhamento do novo? Será que é o preconceito pelo fato da criança não ter um pai conhecido? Será que é pelas dificuldades de criar um filho sozinha?  Provavelmente um pouco de tudo isso junto…

Se eu me acho corajosa? Nem tanto, afinal eu tenho medo, claro! É uma decisão importante e que tem consequências para a minha vida toda. Eu só não quero é deixar que o medo me paralize, que me impeça de ir atrás do que me faça feliz. E quanto aos métodos modernos de fertilização, também acho estranho! Tudo isso é muito novo, nada romântico e impessoal demais pro meu gosto. Se eu estivesse em um relacionamento provavelmente não pensaria nisso. A não ser claro, que descobrisse  algum problema de fertilidade, o que não parece ser o meu caso.

Resumindo, tudo que é novo assusta. Mas ao mesmo tempo, é emocionante fazer parte disso!

Inseguranças e decisões de ano novo…

Faz tempo que não escrevo por 2 motivos: primeiro porque estive viajando até o dia 15 de janeiro. Segundo porque assim que voltei de viagem vieram muitas dúvidas, e não sabia por onde começar.

Até o fim do ano passado eu sabia que os planos da gravidez estavam para o ano que vem. Ainda tinham as festas de final de ano e uma viagem para New York , que aliás foi ótima. Só que assim que o avião pousou, a grandeza da minha decisão caiu em cima de mim e eu entrei em pânico! Não sei direito porque, mas me deu um medo imenso de tudo: da responsabilidade, da mudança de vida, da gravidez, de ter gêmeos ou uma criança com problemas, de não ser capaz de enfrentar as dificuldades sozinha, até de me ver como mãe…Que loucura!

Como eu queira ter alguém para dividir a responsabilidade comigo… aliás, como eu queria não ter ainda 40 anos e poder esperar mais um tempinho, pelo menos uns 5 anos… Mas eu não posso parar o relógio biológico. Ontem, dia 25 de janeiro fiz 40 anos e isso é a realidade, por mais incrível que pareça para mim. E eu não posso saber por quanto tempo ainda poderei tentar uma gravidez. É o momento ideal da minha vida? Com certeza não. Estou segura de que darei conta do recado? Também não. Mas eu não quero deixar que o medo me paralise.

Até onde sabemos, essa é a nossa única vida. Se eu abrir mão desse sonho, da experiência da maternidade,  eu não poderei voltar atrás. Como minha mãe diz, ter um filho é para sempre, mas a decisão de não tê-lo também é! Claro, sempre existe a possibilidade da adoção, mas para mim essa seria uma última opção, se acontecer de eu não poder engravidar.

Amanhã tenho uma consulta na clínica, quando vou levar os exames que fiz no ano passado. Poderei então discutir com o médico as opções de fertilização. Estou ansiosa, muito ansiosa…Quem sabe consigo solucionar algumas das minhas dúvidas e discutir algumas das minhas inseguranças?

Tal pai, tal filho…

Meu sobrinho nasceu a cara do pai. Segunda a minha irmã psicóloga, que estudou antropologia na faculdade, essa característica faz parte da nossa evolução. Os bebês, nos primeiros meses de vida, normalmente se parecem com os pais. Isso porque nós mães sempre temos certeza de que o filho é nosso. Já os pais, até a poucos anos quando não existia teste de DNA, não tinham essa certeza. Assim, durante séculos, os bebês que se pareciam com seus pais eram melhor cuidados e tinham mais chances de sobreviver. A seleção natural seguiu então seu curso.
Isso pode ser ótimo para aproximar pais e filhos, principalmente nesses primeiros meses. Mas para quem vai fazer uma inseminação como eu, pode não ser tão bom. Afinal, meu filho ou filha provavelmente irá nascer parecido com o pai, que eu não conheço! Acho que isso pode ser bem frustrante. Sei que com o tempo o bebê muda, e espero que passe a se parecer mais comigo, mas isso me deixa meio ansiosa.
Pode parecer uma besteira enorme, mas será que vou achar meu filho bonito quando nascer? Tenho certeza que vou amá-lo, mas estou criando tantas expectativas quanto a ver características minhas nele ou nela, que tenho medo de que se isso não acontecer eu me decepcione.
O que importa é ele ser saudável claro, eu não devia me preocupar com essas besteiras, mas às vezes é difícil não pensar nisso.

Chegou meu sobrinho!!!

Meu sobrinho lindinho nasceu, Nicholas! É impressionante como um bebezinho que acabamos de conhecer e mal chegou ao mundo já se torna tão importante  na nossa vida!
Eu, minha mãe e minha irmã Mari já estamos apaixonadas por ele. E cada dia que não o vejo, já morro de saudades.
Ele está bem, forte e ganhando peso, mas nos deu um susto ao nascer. Descobriram que ele tem um problema de má-formação em um dos rins, e muito provavelmente terá que operar daqui a cerca de 3 meses. Claro que abalou a todos nós, principalmente o meu cunhado e minha irmã, que ficou inconsolável. Graças a Deus é um problema que poderá ser curado e o Nicholas terá vida normal.
Mas isso me fez pensar em algo que acredito ser o maior temor de qualquer mãe: a possibilidade de seu filho nascer com algum problema de saúde, uma má-formação…Claro que eu irei procurar me cuidar ao máximo, fazer todos os exames e tomar todos os cuidados, mas ninguém tem garantia.
E a ansiedade então! Estou vendo o estado em que minha irmã está, ainda mais que os hormônios ainda estão completamente desrregulados. Ela não dorme direito, chora por tudo, fica ansiosa por achar que não tem leite sufuciente,  um caos! Eu só fico pensando como eu serei…
Claro que ficarei ansiosa também, cansada com certeza, mas espero ter serenidade suficiente para ir me adaptando a uma vida nova com meu filho. E  penso também que, apesar de não poder contar com o pai da criança para me ajudar, espero ter o apoio da minha mãe principalmente, e também da minha irmã, nem que seja pra me acalmar!rs
Agora é aguardar janeiro quando retorno no médico para começar as tentativas…quanta ansiedade desde já!