O início do novo tratamento se aproxima…e as dúvidas voltam

Está chegando a hora de inciar o novo tratamento e as dúvidas, como sempre, tomam conta de mim. Duas delas principalmente são as que mais me tiram o sono: a questão financeira e da paternidade desconhecida.

A primeira é óbvia: se já está difícil o mercado de trabalho para mim hoje em dia, com certeza não ficará melhor comigo tendo compromissos como mãe. Como não tenho emprego fixo, quando tiver meu filho terei que passar um tempo em casa sem nenhum direito como licença maternidade, estabilidade no emprego, etc. Claro que tenho alguma fonte de renda senão não poderia nem pensar na possibilidade de ter um filho. Mas as coisas ficarão apertadas, e já tenho economizado desde já para me precaver. Apesar disso, dá medo da dificuldade que terei que enfrentar para procurar emprego novamente depois da gravidez. E se eu não conseguir nada, como atender às necessidades dessa criança que está por vir?

A segunda questão pode a princípio parecer mais simples, mas também não sei direito como irei lidar com ela. Ter um filho de doador anônimo me colocará em várias situações em que terei que dar explicações, já que ainda não é tão comum a produção independente na nossa sociedade. Claro que vai ser meio chato, mas enquanto for só eu quem tiver que responder perguntas, está tudo bem.  Meu maior medo é que meu filho ou filha tenha que passar por isso, ficar respondendo perguntas de colegas e até desconhecidos sobre a identidade do pai.

Sem dúvida a pior será a primeira pergunta sobre o assunto. Eu sei que eventualmente virá a fatídica “Quem é meu pai?”, ou “Porque todo mundo tem pai e eu não?”. Essa com certeza será de cortar o coração… Claro que nós adultos sabemos que o fato de ter um pai conhecido não quer dizer que será um bom pai, nem um pai presente na vida do filho. Mas na cabeça de uma criança as coisas ainda não estão assim tão claras. Graças a Deus aqui no Brasil não é permitido que a mãe ou a criança algum dia resolva ir atrás do doador.  Se não fosse assim, acho que ninguém doaria! Já pensou um dia aparecerem crianças desconhecidas na porta de alguém querendo saber se é o pai?

Outro dia vi uma reportagem sobre crianças americanas frutos de inseminação artificial, nascidas de um experimento de uma Universidade há alguns anos e que pretendia gerar gênios. Os PHDs da Universidade doavam seu sêmen para inseminação em mullheres normais que se inscreveram no programa, com a intenção de verificar se os filhos nasceriam com inteligência acima da média. A teoria não se confirmou, as crianças nasceram dentro dos padrões normais da população, mas o que veio depois é que me assusta. Hoje em dia, as crianças já adultas (e algumas mães inconsequentes também…) sairam em busca do doador! Foram atrás dos médicos responsáveis pea fertilização e através de informações fornecidas por eles (!!!!???) tentaram encontrar o pai de algumas das crianças, hoje jovens adultos. É uma história tão absurda que só me faz agradecer o fato de aqui eles tenham um respeito maior pela privacidade das pessoas envolvidas.

O jovem ter a curiosidade dá para entender. A mãe entrar nessa também só mostra como elas estavam pouco preparadas para participarem da pesquisa. Os profissionais envolvidos fornecerem informação sobre os doadores é de uma falta de ética que merece processo!  Mas de alguma forma, mostra como a questão psicológica envolvida é muito complexa. Será que saberei lidar com a situação? É uma questão que me deixa muito insegura pois não existe resposta. Ninguém sabe dizer ao certo como é a melhor forma de enfrentar o problema. Quem sabe até chegar minha vez de ter que lidar com isso, outras mães e filhos que já passaram por essa fase possam servir de exemplo, falando mais sobre isso, o assunto sendo mais discutido, o que facilitaria a vida para todo mundo.

3 Responses to “O início do novo tratamento se aproxima…e as dúvidas voltam”


  1. 1 Lu maio 7, 2010 às 1:21 am

    Oi…Ana…nossa…vc leu os meus pensamentos nestas duas questões…Tenho 34 anos e acabei de decidir que também terei uma produção independente!! Porém ainda não decidi se será através de um doador anônimo ou se através uma relação sexual mesmo..digo que ainda preciso de uma “cara”….já estou com o telefone de uma terapeuta para que ela me ajude nesta questão…fiquei muito feliz em poder acompanhar a sua história…e tenho certeza que vai me ajudar muito nesta decisão tão difícil…

    • 2 Ana Paula Lima maio 7, 2010 às 1:48 am

      Oi Lu.
      Que bom que estou podendo te ajudar a refletir sobre essas questões. Acho uma excelente idéia você procurar um terapeuta, eu também faço terapia há algum tempo e me ajuda bastante. É sempre bom ter alguém para discutir as nossas questões e nem sempre amigos ou parentes servem nessa hora, pois na maioria das vezes não conseguem ser imparciais e acabam julgando, misturando sentimentos, etc.
      Boa sorte para você!
      Um abraço, Ana

  2. 3 Natália Marques julho 24, 2013 às 12:48 am

    Oi!! tenho 33 anos e ainda não encontrei um companheiro para ter filhos. E comecei a pensar na inseminação.. daí achei seu blog. Mto interessante! Gostaria de saber mais.. Onde devo ir? Quanto custa?
    Boa sorte e obrigada!


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