Arquivo para abril \22\UTC 2010

Inseminação artificial na ficção

Dizem  que quando você está com um assunto na cabeça, pra todo lugar que olhamos nos deparamos com esse mesmo assunto. Só sei que atualmente tenho visto o assunto fertilização e inseminação artificial sendo tratado em vários lugares, em especial seriados de televisão.

Por um lado isso é bom, já que quanto mais se falar sobre o assunto e quanto mais as pessoas tiverem informação, mais naturalmente o assunto será encarado. Mas a forma com que o assunto é tratado, me traz certa preocupação. Eu assisto à dois seriados americanos, um é “Flashforward”, que está sendo exibido pela TV à cabo aqui no Brasil, e outro já acabou nos USA e eu baixo no computador, chamado “Nip Tuck”.  O que interessa é que nos dois seriados estão retratando lésbicas que decidem ter filhos sozinhas e recorrem à inseminação artificial. A primeira procura uma clínica de fertilização e busca um doador anônimo, apesar de aparecer um amigo se oferecendo a “ajudá-la” a conceber , e no segundo caso, a mulher em questão pede a doação de um amigo.

Vejo dois problemas ai. O primeiro é o esteriótipo. Sim, existem lésbicas que recorrem à clinicas de fertilização para realizarem o sonho de ser mãe, mas não é o único caso e nem é a maioria! As clínicas estão repletas de casais de todos os tipos, mulheres solteiras tanto homo como heterosexuais, mulheres casadas com problemas de infertilidade, tanto dela quanto do marido. Acho perigoso associar a inseminação artificial à um público específico, no caso dos gays, pois me passa uma idéias incomoda de preconceito, e isso é sempre perigoso.

Outra idéia que é passada completamente errada: passam a idéia de que é só querer ter o filho, ir na clínica com o sêmen doado e pronto, sai grávida! Tem-se a impressão que é como fazer pão, é só colocar os ingredientes no forno e está pronto! Nada mais distante da realidade…
Seria até engraçado, se essa idéia não estivesse sendo passada inconscientemente para as pessoas, que passam a acreditar nelas. O problema é a decepção, quando se vai tentar a mesma coisa na vida real. Só na hora de procurar realmente uma clínica e iniciar o tratamento é que se toma consciência de todas as dificuldades, o tratamento pelo qual se tem que passar, a paciência da espera, as frustrações inevitáveis com as tentativas que não derem certo.

Espero que continuem tratando cada vez mais do assunto, mas de uma forma um pouco mais realista. Claro, é só televisão, mas quando algumas idéias são repetidas muitas vezes, começamos a acreditar que são verdade. E isso pode ser bastante perigoso.

Anúncios

Mais um mês de espera…

Fiz o ultrassom hoje e descobri que terei que esperar mais um mês, pelo menos, para inciar o novo tratamento. O médico detectou um cisto no meu ovário esquerdo, segundo ele o maior e melhor dos dois. Parece que a presença de cistos atrapalha o tratamento, então a recomendação é esperar o novo ciclo. Tomarei pílula durante esse mês, o que ajuda a desfazer o cisto.

Isso é interessante. Ao contrário do que muita gente pensa, o fato de tomar pílula não atrapalha a fecundidade da mulher, ao contrário, ajuda a regular o ciclo e a evitar a formação de cistos, tornando até mais fácil a mulher engravidar quando para de tomá-la.

Fiquei chateada, claro, pois esperava poder começar o tratamento hoje. Mas é melhor esperar mesmo, pois já que a chance de gravidez é limitada, tenho que iniciar o tratamento com as melhores condições possíveis. Terei de ter paciência, apesar dessa não ser uma da minhas virtudes, sou bastante ansiosa. Mas é assim, a hora que tiver que dar certo, vai dar!!!

A caminho da segunda inseminação

Nesta quinta-feira, depois de amanhã cedo, vou iniciar meu novo tratamento. Já tenho o primeiro ultrassom marcado e, se estiver tudo certo comigo, começo com os hormônios novamente! Isso é legal, estou animada para começar novamente, mas ao mesmo tempo me vem outros sentimentos não tão legais: ansiedade, dúvida , nervosismo, mal-humor…e todas aquelas sensações chatas que temos na TPM.  Afinal, essa alta dosagem de hormônios que terei que tomar acaba causando isso, é inevitável.

E dessa vez vai ser pior para mim. Na primeira tentativa, como ainda estava, em parte, sob o efeito do anti-depressivo que tomava, fiquei meio anestesiada paa esses efeitos colaterais dos hormônios. Agora terei que segurar a onda sozinha! O que eu posso fazer para minimizar eu já comecei semana passada: hidroginástica. É sabido que os exercícios físicos ajudam a controlar as variações hormonais, melhoram o humor, além dos benefícios para a saúde e o condicionamento físico. Eu estava parada há bastante tempo, e precisava mesmo começar a me mexer. Hidroginática neste momento foi uma boa opção para mim, já que vou poder continuar durante toda a gravidez.

Acho que apesar de chato ter que começar tudo de novo, deu tempo para que eu arrumasse detalhes práticos da minha vida que irão me ajudar quando eu ficar grávida:
Primeiro foi trocar meu plano de saúde para um que cobre o parto. Parei de tomar os anti-depressivos e já superiei os efeitos da abstinência. Comecei a fazer exercícios físicos.  Fui ao dentista , detalhe importante, já que na gravidez não se pode tomar anestesia. Estou tentando comer coisas mais saudáveis, e estou evitando tomar muito café.  Vou até pintar meu cabelo um pouco mais escuro, já que não poderei retocar as raizes quando estiver gravida, já que é perigoso usar tintas que precisem de descolorante. Podem parecer detalhes, mas cuidar deles pode fazer bastante diferença na hora de garantir que a gravidez transcorra da melhor forma possível!

Agora só me resta seguir o tratamento e torcer novamente para que dê certo. Só para a  insegurança sobre como será o meu futuro com meu bebê é que não existe remédio! Por mais que eu saiba que esse medo deva ser comum à todas as mães, não dá para parar de me preocupar… e como esquecer a ansiedade também é impossível, então o jeito é tentar me ocupar e me distrair, e para isso conto com a ajuda dos amigos!

Sobre múltiplos…

Andei pesquisando sobre a incidência de múltiplos nos tratamentos de fertilização. Encontrei mais informações sobre a fertilização in vitro, que acabou ficando conhecida peranto o público como responsável por uma grande incidência de gêmeos, trigêmeos, etc.  Realmente têm sido uma luta das clínicas conseguir achar uma equação ideal, um número de embriões a serem implantados que aumentem as chances de sucesso, ou seja, a gravidez vá para frente, sem aumentar as chances de múltiplos.  O número que é hoje considerado o ideal é de 2 à 3 embriões. Claro que , no caso de mais de um “vingar”, sempre existe a opção de tirar um dos embriões. Minha irmã, que engravidou por esse método, me disse que essa opção é oferecida à grávida como “normal”. Ela mesmo me disse que não teria problemas com essa opção se fosse o caso dela (ainda bem que não foi…)!

Eu não encaro essa opção com a mesma naturalidade. Na inseminação intra-uterina, que é a que estou fazendo, também existe a probabilidade maior de múltiplos. Os remédios para estimular a ovulação, como o menopur que eu utilizei , podem ter essa contra-indicação. É meio lógico, já que com o estímulo pode-se produzir mais de um óvulo em cada ciclo, eu mesma produzi 2 na minha primeira tentativa.  Na fertivitro, se a mulher porduzir mais de quatro folículos que podem vir a expelir óvulos, não é feita a inseminação.  Mesmo a chance dos quatro serem fertilizados ser muito pequena, ela existe.

Cheguei a questionar meu médico da necessidade de se tomar o remédio para ovulação, sendo que no meu caso não existe o problema da infertilidade. Eu ovulo regularmente, sendo a única dificuldade a minha idade, o que geralmente traz uma queda na taxa de fertilidade, assim como na qualidade dos óvulos. O que o Dr. Luiz me explicou é que além de garantir que a mulher ovule, esse remédio ajuda a garantir a produção de óvulos com qualidade. A intenção é que se produza mais de um folículo, para que pelo menos um óvulo mature com qualidade para ser fecundado.  Como o tratamento é dispendioso, tanto do ponto de vista financeiro como emocional, procura-se otimizar os resultados. Claro que uma gravidez múltipla é um risco para a saúde tanto da mãe quanto dos bebês, mas se forem produzidos até três óvulos parece que a chance é pequena disso ocorrer.  Gêmeos é um pouco mais frequente, porém para eles na clínica, é considerada uma gestação normal.

OK, tudo isso é muito bonito na estatística, mas na vida real? Eu não posso nem pensar em ter gêmeos, quanto mais três, quatro…socorro!!!! Eu vou ter que criar um filho sozinha, isso já vai ser barra.Não tenho condições financeiras e nem psicológicas de criar mais de uma criança. E como fazer então? Talvez seja o caso de pedir para continuar tomando a menor dose do remédio possível. Para mim, com certeza é melhor ter que tentar a inseminação várias vezes do que me arriscar a ter mais de um bebê. Só não sei se essa opção é possível. Claro, para a clínica é mais interessante que se tenha sucesso com o mínimo de tentativas. Mas, e se eu engravidar de mais de um? Mesmo que me deem a opção de tirar, será que eu teria coragem? Acho que não, senão viveria pra sempre com essa culpa. É diferente de descobrir que a criança tem um problema genético, daí é uma outra história. Não que será fácil, mas se isso vier a acontecer quando eu fizer os testes lá pela 12 semana eu estou consciente do que farei, por mais que me doa.

Ai, ai, são tantas histórias que ouvi de gente que não deu certo na primeira tentaiva, às vezes nem na segunda, e depois vieram dois, três, até quatro! É ou não é pra deixar qualquer uma apavorada? Só rezando muito mesmo pra correr tudo bem, e que eu tenha um só bebê!