Arquivo para fevereiro \26\UTC 2010

E os exames continuam…

Sexta-feira, terceiro ultrassom. Segundo o Dr. Luiz, os meus folículos estão crescendo lentamente, então ainda não estarei pronta para a inseminação no domigo ou segunda com pensava. Terei que esperar até terça ou quarta! Ai,ai, ai, mais alguns dias de espera… No domingo irei fazer um outro ultrassom às 8 horas da manhã para saber como evoluiu o crescimento e determinar o dia exato do procedimento. Será que marcaram assim tão cedo para que eu vá me acostumando a não dormir???rsrsrs

Parece que só tem um folículo maior, e o médico dobrou a dose do remédio para que eles se desenvolvam mais rápido. Mas parece que se só um tiver um grande não tem problema, a inseminação será feita do mesmo jeito. Acho que daí as chances de mais de um bebê diminuem não? Assim espero…

Achei engraçado o médico falar que até lá posso namorar à vontade, vida sexual normal. Será que se eu tivesse uma vida sexual ativa eu iria fazer uma inseminação? Acho que provavelmente tentaria primeiro do jeito tradicional, afinal ia ser bem mais barato e potencialmente mais divertido!! Enfim, eu não disse nada…

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Está chegando o dia!!!!

Ontem fiz meu segundo ultrassom. O Dr. Luiz disse que eu respondi bem aos hormônios e está tudo bem para a inseminação. Farei um último ultrassom nesta sexta-feira e a inseminação será no domingo ou na segunda, agora!!!! Nossa, foi muito chocante saber que está tão perto! As emoções se misturaram: medo, ansiedade, expectativa, impaciência…e eu sei que depois ainda vou ter que esperar cerca de 12 dias para saber se funcionou… Se isso não é um teste de paciência e controle da ansiedade, não sei o que é!

Também tive que fazer a escolha do doador. A pessoa responsável na clínica ligou para o pro-seed e, seguindo a minha ordem de escolha, reservou o sêmen para mim. O que estava disponível foi a minha quarta opção: um descendente de lituano com brasileiro, cabelos loiros e lisos, olhos castanhos claros, 1,80 com de altura e 72 kilos. Ele é enfermeiro e esportista, faz ciclismo, natação e paraquedismo. É isso o que sei do doador, e que ele é espirita.   Não posso dizer que não seja estranho não conhecer a pessoa, mas estou me acustumando com a idéia.

Pedi para minha melhor amiga, que é como uma irmã para mim, ir comigo no dia da inseminação. Acho que vai ser importante para mim ter alguém do meu lado para buscar o sêmen, levar na clínica e dividir comigo a ansiedade. Apesar de ser inevitável e até esperada, acho que sempre alivia a gente poder compartilhar com as pessoas que amamos e que sabemos que se importam conosco. Dá um conforto e uma segurança que considero essencial para a nossa saúde emocional.

Falando nisso, fui hoje em uma consulta com a psicóloga da clínica. Achei muito legal o fato deles oferecerem esse apoio psicológico às futuras mãe e pais que se submetem a tratamentos de fertilização. Acho que é um indício da seriedade da clínica, e mostra que estão comprometidos não só com o lado científico, mas também com o impacto psicológico e social do tratamento.  Outra coisa que eu havia esquecido e que só me dei conta ontem: o anti-deprerssivo que eu tomo. Foui pesquisar sobre o assunto e conversei também com a psicóloga sobre isso. Parece que não existe um consenso entre os médico sobre o perigo de tomar anti-depressivos na gravidez. Não existem provas conclusivas que a utilização desses medicamentos podem causar má-formação do feto, mas algumas pesquisas em animais sugerem que pode causar sim. A maioria dos médicos concorda que qualquer medicamento na gravidez só deve ser utilizado se a necessidade do uso compensar os riscos. Claro, uma mãe com depressão é um risco para ela e para a criança. Como no meu caso eu não estou em crise depressiva, tomo a medicação como prevenção, não quero correr nenhum risco. Vou parar de tomar e, se por acaso começar a apresentar os sintomas mais tarde, penso se vale a pena tomar novamente.  O único problema é que comecei a diminuir a dose ontem e portanto terei menos de uma semana para ir me acostumando sem o remédio. Sei que posso sofrer um pouco com a abstinência, mas acho melhor isso do que me arriscar. Vou tentar fazer tudo o que eu posso para ser o mais natural possível. Quero ter minha consciência tranquila de que fiz tudo ao meu alcance para garantir a saúde do meu filho.

Início do tratamento… e das alterações de humor

Comecei o tratamento esta sexta!!! São injeções de hormônio que vão estimular a minha ovulação e que tomarei por 5 dias, a princípio até terça, quando farei outro ultrassom. Daí, dependendo dea formação dos óvulos, tomarei mais algumas ou não. Isso quer dizer que daqui uns 10 dias irei fazer minha primeira inseminação. Estou muiiiiito nervosa.

Na terça-feira terei também que dar uma lista com minha seleção dos doadores, cerca de 7 ou 8 opções. Isso porque na hora de solicitar para o banco, o semên que escolhi pode não estar disponível. A clínica irá solicitar para o pro-seed segundo a ordem que defini, deixando reservado para que eu busque no dia da inseminação. Eu é que terei que buscar, pagar (cerca de 2 mil reais), e levar para a clínica, onde será feita a inseminação. É claro que é um pouco estranha a idéia de levar o futuro  “pai” congelado para o procedimento, mas é estranho também escolher o doador pelas características físicas! Acho que para pessoas românticas como eu isso afeta ainda mais, já que destroi toda a ilusão de encontrar aquele cara ideal que gostaria de ter como pai do meu filho, independente da relação ser duradoura ou não.

Não sei se são os hormônios que estou tomando e que já estão me deixando mais sensível, mas estou me sentindo meio deprimida com a proximidade do dia da inseminação. Ontem me encontrei com alguns amigos onde duas coisas aconteceram que me deixaram um pouco tristes também. Primeiro, uma amigo me disse que acha injusto para a criança nunca ter a oportunidade de conhecer o pai. Isso não tem como discutir, realmente não haverá essa oportunidade. Por melhor que eu seja, e por mais histórias que eu conheça de pais horríveis que era melhor que não existissem, meu filho não poderá conhecer o seu, sendo bom ou ruim, e ele não teve escolha nessa decisão. Também acabamos vendo fotos antigas do nascimento da filha da minha amiga, muitas com o pai junto, todo orgulhoso do nascimento dela. Claro que ele hoje é um péssimo pai, nem contato tem mais com as filhas, mas me lembrou do quanto pode ser importante uma figura de um companheiro nessa hora de fragilidade. Eu não terei ninguém para me mimar durante a gravidez, ou me acompanhar na maternidade e no parto, nem ninguém para se emocionar comigo na hora do parto… e isso é triste.

Claro, terei minha família, meus amigos, mas será que bastará?  Não terei aquela pessoa especial que estará ali do meu lado, ansioso como eu estarei, dividindo comigo o milagre de ver um pedacinho de você tomando forma e chegando ao mundo. Será que todas as mães solteiras sentem isso? Será que ter alguém do lado é realmente tão importante, ou será que depende desse alguém?  Talvez só seja bom se essa pessoa for especial para você e esteja também envolvido e curtindo a vinda da criança, o que nem sempre é o caso, infelizmente.

Acho que estou muito sensível e por isso me sentindo mais solitária do que normalmente. Mas é bom eu me preparar, porque por enquanto é essa a minha realidade. Também não me sinto à vontade de ficar alugando meus amigos com minhas carências, afinal, cada um tem sua vida e seus próprios problemas…

Agora é pra valer

Levei meus exames para o Dr. Luiz da Fertivitro, finalmente! Está tudo bem comigo, meus exames estão normais e estou liberada para fazer a inseminação. Claro, aproveitei a oportunidade para fazer muitas perguntas.

A primeira foi sobre a possibilidade de ter filhos múltiplos. Primeiro, queria saber o porquê de ter que tomar  remédio para estimular a ovulação se, pelos exames, meu ciclo é normal e estou ovulando naturalmente. Ele me explicou que os remédios são para que se produza mais de um óvulo por ciclo, aumentando a chance de gravidez em cada tentativa. Claro, isso aumenta também a possibilidade de ter mais de um embrião. Como ele falou, gêmeos é normal (!!???), mas se a mulher produzir mais de 4 óvulos, eles não fazem a inseminação, pois a gravidez de múltiplos é arriscada. Claro, o mais normal é que não se fertilizem todos os óvulos e, mesmo que mais de um embrião se forme, nem sempre todos se desenvolvem. De qualquer maneira, se ter um filho sozinha é difícil, imagine dois!! Espero que isso não aconteça comigo…

A minha segunda grande preocupação é com a possibilidade de problemas genéticos devido a idade. O Dr. Luiz me explicou que, enquanto a mulher entre 30 e 35 anos tem menos de 1% de chance de ter um filho com problemas genéticos, essa porcentagem sobe para cerca de 8% depois dos 40 anos. Depois disso a curva se acentua ainda mais, podendo chegar a quase 90% depois dos 45 anos! Isso realmente é assustador, o que me dá a certeza de que cada mês é importante, não dá para adiar mais.

Com relação a essa possibilidade de má-formação genética, quando não ocorre um aborto natural, é recomendável para mulheres acima de 40 anos fazerem  um teste que detecta várias sindromes no feto, realizado por volta do 3 mês. Apesar de ter um risco pequeno de causar um aborto, cerca de 1% dos casos, pode dar uma opção de escolha para a futura mãe, se irá levar a gravidez até o final. Apesar da dificuldade de uma decisão como essa, criar uma criança com problemas não é para qualquer um, definitivamente.

Quanto a inseminação em si, é um processo mais simples do que pensei. No segundo ou terceiro dia da próxima menstruação, vou na clínica fazer um ultrassom e já começo a tomar o remédio para estimular a ovulação. Nesse mesmo dia já tenho que escolher alguns possíveis doadores, cerca de oito, para reservarem o sêmen que estiver disponível para mim. Daí, lá pelo 14 dia, é feito o procedimento, na própria clínica, sem nenhuma complicação.Nem repouso precisa fazer, é só torcer para dar certo!

Só tenho uma coisa a dizer: estou com um frio na barriga!!!