Archive for the 'inseminação artificial' Category

Depois de mais de um ano de emoções alegres e tristes, novas esperanças se desenham para 2012!

Como já perceberam, faz mais de um ano que não atualizo este blog. Poderia até tê-lo tirado do ar, mas achei que as informações que estão nos posts poderiam ser úteis para outras mulheres com o sonho de ter filhos sozinhas. E fico feliz que tenha tomado esta decisão, pois recebi durante este ano alguns e-mails de leitoras do blog que acredito terem encontrado aqui informações que foram importantes para elas, de uma maneira ou de outra. E claro, todas elas sempre quiseram saber o que aconteceu depois que parei de escrever, se consegui engravidar, se desisti, enfim, se tive meu sonho realizado.

Agora, com o distanciamento necessário que só o tempo pode nos dar, resolvi contar como foi este último ano e em que pé estão as coisas. Eu consegui engravidar na minha segunda inseminação e realmente fiquei muito feliz. E por superstição ou simplesmente por medo de dar algo errado, resolvi que não contaria até o terceiro mês. Acabou sendo uma decisão acertada, porque tive um aborto espontâneo quando estava com 9 semanas. Descobri que o feto não estava se desenvolvendo como deveria e acabou acontecendo naturalmente.

Como vocês podem imaginar, foi muito difícil, pois já começamos a fazer planos desde a segunda semana, que é quando descobrimos a gravidez. E apesar de saber que infelizmente é comum o aborto espontâneo na primeira gravidez ( eu mesma tenho várias pessoas da família que passaram por isso…) só quem vivencia esta experiência sabe o quanto é dolorosa.  E foi extremamente difícil ter que contar o que aconteceu para as pessoas que sabiam das minhas tentativas, e foi completamente impossível para mim, naquele momento, dividir isto com o mundo. Por isto abandonei o blog.

Acabei tendo que fazer uma curetagem e, acabei descobrindo que o aborto aconteceu porque tive uma gravidez molar. Resumindo rapidamente, é quando ao invés do embrião formado possuir 2 núcleos, um do óvulo e um do espermatozóide, o embrião apresenta 3 núcleos. Isso pode acontecer se por acaso 2 espermatozóides fecundarem o mesmo óvulo ou ocorrer uma duplicação do núcleo do próprio espermatozóide  ou óvulo. De qualquer maneira, é uma anomalia genética incompatível com a vida.  Mesmo que haja a formação do embrião, segundo minha ginecologista, este não se desenvolve além do quinto mês.  O problema é que estas células anômalas chamadas de Mola, caso não sejam totalmente eliminadas pelo corpo naturalmente ou retiradas na curetagem, podem se espalhar como um tumor, atingido outros órgãos.  Apesar de normalmente ser benigno, é preciso haver um monitoramento para garantir que isto não ocorra.  Justamente por isso, tive que fazer diversos exames e esperar um ano para poder iniciar o tratamento de fertilização novamente. Isto porque é através do exame dos níveis de HCG que é possível saber se existe algum resquício de mola no corpo.  E se ocorresse outra gravidez, ficaria impossível determinar se o aumento do HCG é causado pelo mola ou pela nova gravidez.  Ao contrário do que muita gente me perguntou, não é assim que se formam os gêmeos e esta anomalia não é muito comum, cerca de 1 a cada 1000 gravidezes. E pode acontecer com mulheres de qualquer idade e em qualquer gestação. Não vou me estender no assunto, mas quem tiver interesse, existem vários sites na internet falando sobre isto.

No meu caso, graças a Deus, não houve complicações. Fiz exames de Beta-HCG por 6 meses seguidos até este zerar, e a partir daí, pude iniciar novamente os exames rotineiros para reiniciar o tratamento de fertilização. Só que, aconselhada pelo meu médico, a melhor opção seria a fertilização in vitro. Isto porque existe a chance de 1 em 100 de acontecer uma gravidez molar novamente. E no caso da fertilização, é possível o médico saber assim que o embrião se forma se ele é normal e saudável, antes de ser implantado. Ter outra gravidez molar, além do risco, me obrigaria a esperar mais um ano,  e como já passo dos 40 anos, qualquer ano a mais  é muito importante.

Reiniciei o tratamento em agosto de 2011, quando tentei minha primeira fertilização. Apesar da grande quantidade de hormônios que tomei, meu corpo não respondeu com uma produção grande de óvulos, o que resultou na formação de somente dois.  Estes conseguiram dar origem a dois embriões saudáveis, mas que acabaram não aderindo à parede do útero e, portanto, não engravidei. O mês de setembro foi de descanso, como é em geral recomendado entre uma tentativa e outra, e tentei novamente em outubro. Como não havia respondido bem a uma grande quantidade de hormônios, tomei menos desta vez, e produzi três óvulos. Neste caso, porém, somente um embrião foi produzido e também não vingou.

A produção de poucos embriões não é um problema em si, já que só precisa de um saudável para que se desenvolva. A questão é que implantando um só, ou dois, a chance de que este realmente vá para frente é bem menor. Fora o fato de que, quando vários embriões são formados, eles não precisam ser implantados ao mesmo tempo. Pode-se tentar implantar dois ou três, e se não vingarem, ainda tem outros guardados para tentar outra implantação, sem ter que passar pelo processo todo novamente.  Além de mais simples, os custos também caem drasticamente.

Com eu teria que dar um descanso de um mês para fazer o tratamento novamente e já era final de ano, quando a clínica fecha por uns dias, meu médico decidiu experimentar um tratamento novo. Ele me pediu para que tomasse por 3 meses uma substância  chamada DHEA. Vendida como suplemento alimentar nos EUA, é produzida naturalmente pelo organismo, mas tem sua produção diminuída com a idade. Repondo esta substância, algumas mulheres tratadas pelo Dr. Luiz passaram a responder melhor ao tratamento hormonal, produzindo mais óvulos. Como é uma substância que promete acelerar o metabolismo e que quase não possui efeitos colaterais, além de um baixo custo, me animei bastante a fazer esta tentativa.

Não decidi ainda quando farei a nova fertilização. Por motivos pessoais e financeiros estou esperando um pouco mais do que os três meses, mas continuo a tomar o suplemento.  Ao contrário da inseminação, a fertilização in Vitro tem um custo bem mais alto, cerca de R$ 13 mil reais cada ciclo completo. Além disso, as quantidades de hormônios são bem maiores, é preciso tomar anestesia no dia da aspiração dos óvulos, o que leva a um desgaste bem maior, tanto física como emocionalmente. Só posso dizer que ainda não desisti, mas confesso que não sei se terei energia e grana para muitas outras tentativas. E para evitar ter que lidar com a pressão e a expectativa de outras pessoas além da minha (que já é enorme!), só vou divulgar se deu certo depois que passar o período crítico, ou seja, as 12 primeiras semanas.

De qualquer forma, agradeço a todas as mensagens, pensamentos positivos e torcidas que recebo de todos que acessam o blog.  E a todos que também escolheram este caminho, muito boa sorte!

Agora é pra valer!

Levei meus exames para o Dr. Luiz da Fertivitro, finalmente! Está tudo bem comigo, meus exames estão normais e estou liberada para fazer a inseminação. Claro, aproveitei a oportunidade para fazer muitas perguntas!

A primeira foi sobre a possibilidade de ter filhos múltiplos. Primeiro, queria saber o porquê de ter que tomar  remédio para estimular a ovulação se, pelos exames, meu ciclo é normal e estou ovulando naturalmente. Ele me explicou que o formados remédios são para que se produza mais de um óvulo por ciclo, aumentando a chance de gravidez em cada tentativa! Claro, isso aumenta também a possibilidade de ter mais de um embrião. Como ele falou, gêmeos é normal (!!???), mas se a muler produzir mais de 4 óvulos, eles não fazem a inseminação, pois a gravidez de múltiplos é arriscada. Claro, o mais normal é que não se fertilizem todos os óvulos e, mesmo que mais de um embrião se forme, nem sempre todos se desenvolvem. De qualquer maneira, se ter um filho sozinha é difícil, imagine dois!! Espero que isso não aconteça comigo…

A minha segunda grande preocupação é com a possibilidade de problemas genéticos devido a idade. O Dr. Luiz me explicou que, enquanto a mulher entre 30 e 35 anos tem menos de 1% de chance de ter um filho com problemas genéticos, essa porcentagem sobe para cerca de 8% depois dos 40 anos. Depois disso a curva se acentua ainda mais, podendo chegar a quase 90% depois dos 45 anos! Isso realmente é assustador, o que me dá a certeza de que cada mês é importante, não dá para adiar mais.

Com relação a essa possibilidade de má-formação genética, quando não ocorre um aborto natural, é recomendável para mulheres acima de 40 anos fazerem  um teste que detecta várias sindromes no feto, realizado por volta do 3 mês. Apesar de ter um risco pequeno de causar um aborto, cerca de 1% dos casos, pode dar uma opção de escolha para a futura mãe, se irá levar a gravidez até o final. Apesar da dificuldade de uma decisão como essa, criar uma criança com problemas não é para qualquer um, definitivamente.

Quanto a inseminação em si, é um processo mais simples do que pensei. No segundo ou terceiro dia da próxima menstruação, vou na clínica fazer um ultrassom e já começo a tomar o remédio para estimular a ovulação. Nesse mesmo dia já tenho que escolher alguns possíveis doadores, cerca de oito, para reservarem o sêmen que estiver disponível para mim. Daí, lá pelo 14 dia, é feito o procedimento, na própria clínica, sem nenhuma complicação! Nem repouso precisa fazer, é só torcer para dar certo!

Só tenho uma coisa a dizer: estou com um frio na barriga!!!

Qual a idade ideal para ser mãe?

Desde os últimos avanços da medicina na área de fertilização, as pessoas passaram a acreditar que a maternidade pode ser adiada tranquilamente para depois dos quarenta anos sem consequências. Essa idéia também vem repetidamente sendo divulgada pela mídia, que está sempre mostrando atrizes que tiveram filhos mais velhas, como se isso fosse a coisa mais normal e simples do mundo.
Eu também sempre pensei assim, e só quando comecei a ir atrás de informações e a conversar com outras mulheres na mesma faixa etária que a minha, descobri que não é bem assim.  Claro que hoje com a fertilização, inseminação, remédios, testes, enfim, toda a tecnologia, é possível ter filhos mais velha, e de forma mais segura.  Mas o relógio biológico da mulher não mudou por conta disso. Sempre foi e continua sendo aconselhável ter filhos até os 35 anos, quando a taxa de fertilidade ainda está alta e existe menos risco tanto para a mãe quanto para o bebê.
A maternidade depois dessa idade é possível, claro, mas depois dos quarenta, com os óvulos mais velhos, além da fertilidade cair, o risco de algum problemas de saúde é maior. Mas isso é o que as revistas de fofoca não contam!  Quando falam que uma atriz qualquer teve um filho aos 45 anos,  nunca entram em detalhes sobre tratamentos pelos quais teve que passar, dificuldades e frustrações, às vezes até doação de óvulo. E quantas outras tentativas frustradas que, claro, não são notícia!
Mas infelizmente a verdade é que não existe milagre. Quantas mulheres, amigas ou conhecidas ao redor dos quarenta anos, estão agora lutando para engravidar! Eu adiei até quatenta anos porque não tinha um companheiro, mas, e quantas outras, casadas ou com um parceiro fixo, foram deixando a tempo passar, esperando o momento ideal ou mais conveniente? Elas, como eu, acreditaram que seria uma coisa simples. Mas a realidade é bem mais complicada, e cara! São tantos exames, tratamentos, frustrações, fora o medo de não conseguir ou o bebê nascer com algum problema.
Considerando tudo isso, vou repetir o conselho que minha ginecoligista mandou eu dar para a minha irmã (agora com 31 anos): Se não for possível ter filhos antes dos 35 anos, o que seria ideal, o melhor é congelar seus óvulos. Assim, quando resolver engravidar, terá bem menos problemas!

Pai no catálogo?

Se tem algo bizarro é escolher o doador de sêmen. A impressão que se tem é a de que estamos fazendo compras em um catálogo!

Primeiro vou explicar um pouco como funciona. Aqui no Brasil a doação de sêmen é totalmente anônima e gratuita. Os possíveis doadores têm sua identidade preservada por lei e são proibidos de receber qualquer remuneração. Além disso, eles tem que passar por uma batelada de exames, responder questionários e conversar com psicólogos. Seis meses depois, são submetidos a exames novamente, para garantir que nenhuma doença transmissível se manifestou nesse período.
Claro que isso é uma segurança para quem está em busca de um doador, mas também não facilita o processo. Por isso mesmo, existem poucos doadores no país. Aqui em São Paulo por exemplo, só existe um banco de sêmen, o Pro-seed, antes pertencente ao Hospital Albert Einstein e agora independente, que vende o sêmen para as clínicas de fertilização, sempre mantendo os doadores anônimos. E por existirem poucos, o custo de cada amostra também é caro, cerca de 2 mil reais.

Bom, na hora de escolher o doador, a clínica nos envia uma planilha com os dados de cada um dos doadores identificado por um número, para que possamos escolher pelo menos 3 opções. 
Estão divididos por etnia, ascendência, cor de cabelo e dos olhos, altura, peso, religião, profissão e hobby. Eu, e acho que a maioria das mulheres, vou procurar escolher um doador com características semelhantes as minhas, assim meu filho se parecerá comigo (espero!).
Claro que como não estamos escolhendo um parceiro ou um bom pai e sim somente um doador, não custa nada aproveitar das probabilidades genéticas. De preferência escolherei um homen mais alto que eu ( já que sou baixa), que não esteja acima do peso (já que a tendência a obesidade é hereditária), e de olhos e cabelos claros. Já que meu pai tinha olhos azuis, a chance de meu filho ter também aumenta! Quanto a profissão e hobby, não sei até que ponto as habilidades são passadas de pai para filho, mas um doador que tenha uma veia artistica me parece interessante…
Ainda não escolhi, só dei uma olhada na lista que a primeira clínica que fui me enviu, mas posso garantir que é uma experiência um pouco estranha. É impossível não imaginar como são esses homens e também os motivos que os levaram a doar.
Aos homens que lerem este post, quero fazer um pedido: doem!!! Vocês podem ajudar a formar uma família, não só mães solteiras mas também casais com problemas de fertilidade, e terão seu anonimato totalmente preservado! Uma amiga me passou um artigo sobre doação de sêmen que vale a pena ser lido sobre esse assunto. Confiram!!!

Fertilidade humana

Através das minhas pesquisas e conversas com médicos, descobri algumas informações sobre a fertilidade humana que desconhecia. 
A chance de um casal jovem, saudável e que mantêm relações sexuais regulares engravidar em cada ciclo é de somente 20%!
Isso quer dizer que um casal tentar ter um filho por 6 meses ou até 1 ano e não conseguir é perfeitamente normal! Realmente o ser humano é um animal muito pouco fértil…
Fazendo a inseminação artificial, ou seja, simplesmente injetando o sêmen no dia da minha ovulação, que é o procedimento mais simples,  a chance de eu engravidar é a mesma, só 20%!  Isso sem contar com o fato de que pela minha idade as chances caem ainda mais. O recomendado por todas as clínicas é tentar no máximo 3 vezes e se não der certo, fazer a fertilização in vitro, também conhecida como bebê de proveta. Algumas mulheres optam por esse método diretamente, quando as chances de gravidez sobem para 40% ( o que também não é muito!!!).
Além da expectativa, da frustração e dos custos, que são bastante altos, no meu caso ainda tem o fator idade para complicar.
Depois dos 35 anos a mãe já é considerada idosa. Os óvulos, mais velhos, podem não estar tão bons para a fertilização e os riscos para a mãe e para a saúde do bebê são bem maiores. À partir dos 40 anos então, a taxa de fertilidade cai vertiginosamente. 
Por esses motivos, fico com dúvidas quanto ao método que devo tentar. Não tenho tempo para várias tentativas frustradas de inseminação. Além disso, fico pensando se não é mais seguro para garantir a saúde do feto que seja através de uma fertilização in vitro, onde o melhor embrião pode ser selecionado para ser colocado no útero. 
Por outro lado, se eu tiver a sorte de ser bem fértil, poderei engravidar na primeira tentativa de inseminação, que é um processo bem mais simples e por um terço do preço…

Quantas dúvidas! Não vejo a hora de acabar os exames e poder voltar ao médico para discutir essas questões com ele. E eu sei que a decisão final será só minha…



Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.